terça-feira, 17 de março de 2026

Catálogo Exposição Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos

 Catálogo Exposição Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos 

 Farol Santander de novembro de 2025 à 1 março de 2026 em São Paulo:



Texto de apresentação

A criança faz do brinquedo um terreno para plantar sonhos, cultivar a imaginação.

 Brincar é uma lavoura imaginária, onde a criança planta as sementes de si. 

Ela o faz para permitir crescer as próprias raízes, fortalecer seu caule, deixar abrolhar suas flores. O brinquedo, quando brincado

pela criança, é, antes de tudo, uma lavra em que o humano se cria, se expande, sonha sem limites sobre si mesmo.

No entanto, por outra via, o brinquedo faz da criança uma terra para plantar cultura. O objeto

desenhado pelo criador, pensado para certas idades, cultiva nas infâncias ensaios do viver na

sociedade. Desperta anseios, aprimora hábitos, faz assimilar ideários, absorver tendências e

necessidades. Os brinquedos da indústria são os hábitos sociais, são sínteses, miniaturas do real, ideias civilizatórias. Ícones que direcionam, em certa medida, os sonhos. O brinquedo, essa força cultural, se enlaça à criança, essa força ancestral.


O acervo aqui, pertencente à Ana Caldatto, colecionadora e pesquisadora de

brinquedos, é um recorte das décadas de 1940 até 1980 de alguns dos principais brinquedos

produzidos na indústria brasileira. Escolhemos ícones que marcaram gerações de crianças e que ainda hoje despertam sentimentos das infâncias dessas épocas. Memórias afetivas são

estimuladas ao se reencontrar tais brinquedos. Lembranças de um Brasil de outrora e seus

costumes moram ainda hoje nesses objetos.

Convidamos você a fruir em suas memórias mais íntimas e, com isso, reconhecer a importância do brincar, da conexão, do cuidado e da generosidade com a infância de seus  filhos e netos.

Desejamos que reencontre seu brinquedo e, com ele, sua força invencível de criança.

Gandhy Piorski:




Texto institucional exposição 


Uma viagem pela memória dos brinquedos


Uma viagem pela memória dos brinquedos, propõe um mergulho sensível

e afetivo pelas infâncias brasileiras entre as décadas de 1940 e 1980,

período em que os brinquedos refletiam — em forma, cor e função — as

transformações culturais, sociais e tecnológicas do país.

Ao longo das salas expositivas, o visitante é convidado a explorar a história

do brincar: dos brinquedos artesanais e das primeiras produções

industriais aos objetos que marcaram presença nos quintais, ruas e salas

das casas brasileiras. Bonecas, jogos, carrinhos, figurinhas, autoramas,

robôs e microscópios revelam não apenas a evolução dos materiais, mas

também as histórias e imaginários que moldaram gerações.

Mais do que objetos lúdicos, os brinquedos apresentados são símbolos de

memória e afeto — fragmentos de um tempo em que a infância era vivida

com liberdade, criatividade e convivência. Reencontrá-los é também

revisitar pedaços da nossa própria história.

Com esta exposição, o Farol Santander reafirma seu compromisso com a

preservação das expressões culturais brasileiras, valorizando o brincar

como linguagem, a memória como patrimônio, e o afeto como ponte

entre gerações.

Boa visita!

Bibiana Berg

Head Sênior de Experiências, Cultura e Impacto Social 

Santander 


Há mais de 40 anos tenho paixão por colecionar. Comecei aos 10, com selos,

papéis de carta e álbuns de figurinha.

Eu me sinto uma colecionadora de emoções.

Os brinquedos proporcionam essa emoção. Por meio da memória do brincar,

somos transportados para uma viagem nostálgica.

Cada item tem sua bagagem histórica. Cada brinquedo do acervo tem a marca

do brincar...

Aquele carrinho com a rodinha gasta de tantas aventuras pelas estradas

imaginárias. A boneca que fez parte da melhor companhia da criança. Aquele

jogo que uniu amigos de infância na calçada, no quintal ou na sala naquele dia

de chuva e frio.

Tive uma infância rural com muitas crianças na vizinhança, na qual a

imaginação nos levava a criar animais com frutas da época.

A carambola e a manga colhida verde se transformavam em animais da

pastagem. As pontes e os viadutos ganhavam forma com todo o imaginário que

o barro proporcionava.

As brincadeiras – como esconde-esconde e passa anel – e a oportunidade de

troca de brinquedos me proporcionaram conhecer a variedade disponível da

época.

Cresci e mantive a criança interna zelando por essa memória do brincar, em

que cada brinquedo tem a própria evolução dos materiais:

Sobre acrvo:

Há mais de 40 anos tenho paixão por colecionar. Comecei aos 10, com selos,

papéis de carta e álbuns de figurinha.

Eu me sinto uma colecionadora de emoções.

Os brinquedos proporcionam essa emoção. Por meio da memória do brincar,

somos transportados para uma viagem nostálgica.

Cada item tem sua bagagem histórica. Cada brinquedo do acervo tem a marca

do brincar...

Aquele carrinho com a rodinha gasta de tantas aventuras pelas estradas

imaginárias. A boneca que fez parte da melhor companhia da criança. Aquele

jogo que uniu amigos de infância na calçada, no quintal ou na sala naquele dia

de chuva e frio.

Tive uma infância rural com muitas crianças na vizinhança, na qual a

imaginação nos levava a criar animais com frutas da época.

A carambola e a manga colhida verde se transformavam em animais da

pastagem. As pontes e os viadutos ganhavam forma com todo o imaginário que

o barro proporcionava.

As brincadeiras – como esconde-esconde e passa anel – e a oportunidade de

troca de brinquedos me proporcionaram conhecer a variedade disponível da

época.

Cresci e mantive a criança interna zelando por essa memória do brincar, em

que cada brinquedo tem a própria evolução dos materiais.

Desde a boneca de massa de composição – que, se esquecida na chuva, se

desmanchava – a uma boneca de plástico simples, passando pelas de pano,

que a mãe fazia com roupinhas glamourosas, e pelas fashion doll, que

marcaram minha infância – como a Susi –, sempre prestigiei os brinquedos,

inclusive os de lata.

Acompanhei também a chegada dos carrinhos eletrônicos e o início dos

games.

Por meio do meu acervo, pode-se observar a evolução de cada geração desde

anos 1920 até os dias atuais.

Acabei dando foco maior aos anos 1960-70-80 devido à popularização do

material plástico, que facilitou o acesso de mais crianças ao brincar.

Mas os brinquedos de fabricação nacional, como o simples forte Apache

Casablanca, feito de plástico nos anos 1960, eram frágeis e quebravam com

facilidade, o que os tornavam raríssimos. Apesar de minha coleção abranger todo e qualquer tipo de brinquedo, decidi

me concentrar nas bonecas Susi lançadas em 1966. Três anos depois, em

1969, elas se tornaram modelos exclusivos brasileiros, sendo item diferenciado

mundialmente. Dessa forma, sou a maior colecionadora de Susi.

E é essa emoção que me move a colecionar e compartilhar o que tenho com você:



Texto sala 1.

Nas décadas de 1940 até 1960, a indústria de brinquedos no Brasil ainda estava se formando,

inicialmente com pequenas fábricas de bonecas em massa de papel, jogos de madeira,

soldadinhos de chumbo, brinquedos de lata litografada, pelúcias, de plástico baquelite e

emborrachado.

Os brinquedos desse período ainda não tinham largo alcance na sociedade brasileira. Muitos

eram voltados para tarefas domésticas, habilidades ligadas à costura e à cozinha. Já na década de

1960 apareceram as primeiras bonecas fashion dolls(influência da moda e do estilo), sopros da

contracultura e do movimento feminista.

Os brinquedos também eram fortemente inspirados na corrida espacial, nos primeiros filmes de

espiões, na guerra fria e na ficção científica ainda ingênua. Surgiram também os brinquedos que

ocupavam as salas da casa de classe média. Os autoramas e os ferroramas, as corridas em pistasligadas a controles elétricos. Mesmo que pequenos, os saltos da tecnologia criavam para as

crianças a fantástica sociedade automatizada. Vieram também os robôs e os controles ligados a

fios e pilhas.





- Texto sala 2.

Os brinquedos sempre sofreram influência das transformações técnicas ocorridas na sociedade.

Os objetos aqui carregam consigo a concepção de infância. Eles perpassaram muitas

épocas, apontando para o gesto do fazer com as mãos, do construir, do inventar, do testar e

investigar. Eram brinquedos que pretendiam trazer a ciência e o trabalho para o brincar.

Funcionavam como microlaboratórios para descobertas, alimentando o interesse das crianças

pela matéria e seus desejos de desvendar segredos. Atiçavam o fascínio pelas coisas que

moravam dentro do mundo, que podiam ser descobertas por um microscópio, por uma lente de

aumento, por lentes que brincavam com a luz. Brinquedos de engenharia, química e

infraestrutura, testes que acionavam correntes elétricas e sistemas de montagem. A criança

construtora e inventiva morava aqui. Nesses brinquedos, as traquinagens eram mais

profissionais



Texto sala 3.

Nos anos de 1970 a 1980, aconteceu a popularização dos brinquedos. O plástico bolha era um

material barato e permitia produção em massa. A diversidade de brinquedos explodiu, chegando

aos lugares mais distantes do Brasil, acessando uma infinidade de crianças. O advento da TV em

cores, a influência do design de objetos, o pop e o cinema espalhado em salas por todas as

cidades pequenas do País foram os motores de novos costumes e rupturas com tradições.

As crianças ainda tinham as ruas para brincar. Os quintais ainda eram grandes e os terrenos

baldios e casas abandonadas continuavam guardando assombrações, permitindo experimentos

perigosos com as pólvoras dos fogos de artifícios. Os brinquedos eram levados para as ruas agora

mais pavimentadas. Eram bicicletas, carrinhos de rolimã, skates, patins, figurinhas dos álbuns,

luvas de boxe, papéis de carta, bonecas de papel. As lembrancinhas de aniversários eram

diversas: apitos, línguas de sogra, petecas, carrinhos, pequenos animais.

O brinquedo ganhava as ruas. As casas dos vizinhos ficavam um pouco mais abertas. As trocas

de objetos e figurinhas, e os campeonatos de futebol de botão ainda aconteciam num certo

espírito comunitário. A rua foi a mãe dessas gerações.

FRASES

● A canoa virou, deixaram ela virar…

● Se essa rua, se essa rua fosse minha…

● Vem chegando algodão-doce!

● Ô abre a roda tindolelê!● Uni duni tê, salamê minguê…

● Boca de forno... forno!

● Trocam-se panelas velhas por maçã do amor!













UMA VIAGEM AO MUNDO DOS BRINQUEDOS

Concepção

Gandhy Piorski

Luciana Farias

Curadoria

Gandhy Piorski

Assistente de Curadoria

Ana Caldatto

Coleção

Ana Caldatto

Produção Executiva

Luciana Farias

Coordenação de Produção

Cristiane Santos

Projeto Expográfico

Atelier Cenográfico

Angela Barbosa

Beto Paiva

Design Gráfico

Prata Design

Didiana Prata

Maria Meira

Rafaela Ramos

Assistente de Coordenação

Diana Vaz

Projeto de Iluminação

Anna Turra Lighting Design

Anna Turra

Lucas Cavalcante

Execução projeto iluminação

Santa Luz

Projeto de Elétrica

MMV

Educativo

Coordenação

Fabia FeixasSupervisão

Débora Helena

Théo Yano

Monitores

Clara Maria Gomes Freire

Stefanon Bailiot de Alcântara

Winícios Brito Passos

Acessibilidade

Marina Baffini

Revisão de Texto

Ana Neiva

Museologia

Daniella Lobo Baccelli

Flávia Vidal Figueiredo

Nina de Almeida Quintanilha

Montagem Fina

Estúdio 880

Helio Iwasa

Louis Alamino

Luiz dos Santos Menezes

Michel Onguer

Rafael Filipe da Silveira

Construção Cenográfica

Cenotech Cenografia

Seguro

Howden Insurance Brasil




Créditos para comunicação Santader 


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