Catálogo Exposição Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos
Farol Santander de novembro de 2025 à 1 março de 2026 em São Paulo:
Texto de apresentação
A criança faz do brinquedo um terreno para plantar sonhos, cultivar a imaginação.
Brincar é uma lavoura imaginária, onde a criança planta as sementes de si.
Ela o faz para permitir crescer as próprias raízes, fortalecer seu caule, deixar abrolhar suas flores. O brinquedo, quando brincado
pela criança, é, antes de tudo, uma lavra em que o humano se cria, se expande, sonha sem limites sobre si mesmo.
No entanto, por outra via, o brinquedo faz da criança uma terra para plantar cultura. O objeto
desenhado pelo criador, pensado para certas idades, cultiva nas infâncias ensaios do viver na
sociedade. Desperta anseios, aprimora hábitos, faz assimilar ideários, absorver tendências e
necessidades. Os brinquedos da indústria são os hábitos sociais, são sínteses, miniaturas do real, ideias civilizatórias. Ícones que direcionam, em certa medida, os sonhos. O brinquedo, essa força cultural, se enlaça à criança, essa força ancestral.
O acervo aqui, pertencente à Ana Caldatto, colecionadora e pesquisadora de
brinquedos, é um recorte das décadas de 1940 até 1980 de alguns dos principais brinquedos
produzidos na indústria brasileira. Escolhemos ícones que marcaram gerações de crianças e que ainda hoje despertam sentimentos das infâncias dessas épocas. Memórias afetivas são
estimuladas ao se reencontrar tais brinquedos. Lembranças de um Brasil de outrora e seus
costumes moram ainda hoje nesses objetos.
Convidamos você a fruir em suas memórias mais íntimas e, com isso, reconhecer a importância do brincar, da conexão, do cuidado e da generosidade com a infância de seus filhos e netos.
Desejamos que reencontre seu brinquedo e, com ele, sua força invencível de criança.
Gandhy Piorski:
Texto institucional exposição
Uma viagem pela memória dos brinquedos
Uma viagem pela memória dos brinquedos, propõe um mergulho sensível
e afetivo pelas infâncias brasileiras entre as décadas de 1940 e 1980,
período em que os brinquedos refletiam — em forma, cor e função — as
transformações culturais, sociais e tecnológicas do país.
Ao longo das salas expositivas, o visitante é convidado a explorar a história
do brincar: dos brinquedos artesanais e das primeiras produções
industriais aos objetos que marcaram presença nos quintais, ruas e salas
das casas brasileiras. Bonecas, jogos, carrinhos, figurinhas, autoramas,
robôs e microscópios revelam não apenas a evolução dos materiais, mas
também as histórias e imaginários que moldaram gerações.
Mais do que objetos lúdicos, os brinquedos apresentados são símbolos de
memória e afeto — fragmentos de um tempo em que a infância era vivida
com liberdade, criatividade e convivência. Reencontrá-los é também
revisitar pedaços da nossa própria história.
Com esta exposição, o Farol Santander reafirma seu compromisso com a
preservação das expressões culturais brasileiras, valorizando o brincar
como linguagem, a memória como patrimônio, e o afeto como ponte
entre gerações.
Boa visita!
Bibiana Berg
Head Sênior de Experiências, Cultura e Impacto Social
Santander
Há mais de 40 anos tenho paixão por colecionar. Comecei aos 10, com selos,
papéis de carta e álbuns de figurinha.
Eu me sinto uma colecionadora de emoções.
Os brinquedos proporcionam essa emoção. Por meio da memória do brincar,
somos transportados para uma viagem nostálgica.
Cada item tem sua bagagem histórica. Cada brinquedo do acervo tem a marca
do brincar...
Aquele carrinho com a rodinha gasta de tantas aventuras pelas estradas
imaginárias. A boneca que fez parte da melhor companhia da criança. Aquele
jogo que uniu amigos de infância na calçada, no quintal ou na sala naquele dia
de chuva e frio.
Tive uma infância rural com muitas crianças na vizinhança, na qual a
imaginação nos levava a criar animais com frutas da época.
A carambola e a manga colhida verde se transformavam em animais da
pastagem. As pontes e os viadutos ganhavam forma com todo o imaginário que
o barro proporcionava.
As brincadeiras – como esconde-esconde e passa anel – e a oportunidade de
troca de brinquedos me proporcionaram conhecer a variedade disponível da
época.
Cresci e mantive a criança interna zelando por essa memória do brincar, em
que cada brinquedo tem a própria evolução dos materiais:
Há mais de 40 anos tenho paixão por colecionar. Comecei aos 10, com selos,
papéis de carta e álbuns de figurinha.
Eu me sinto uma colecionadora de emoções.
Os brinquedos proporcionam essa emoção. Por meio da memória do brincar,
somos transportados para uma viagem nostálgica.
Cada item tem sua bagagem histórica. Cada brinquedo do acervo tem a marca
do brincar...
Aquele carrinho com a rodinha gasta de tantas aventuras pelas estradas
imaginárias. A boneca que fez parte da melhor companhia da criança. Aquele
jogo que uniu amigos de infância na calçada, no quintal ou na sala naquele dia
de chuva e frio.
Tive uma infância rural com muitas crianças na vizinhança, na qual a
imaginação nos levava a criar animais com frutas da época.
A carambola e a manga colhida verde se transformavam em animais da
pastagem. As pontes e os viadutos ganhavam forma com todo o imaginário que
o barro proporcionava.
As brincadeiras – como esconde-esconde e passa anel – e a oportunidade de
troca de brinquedos me proporcionaram conhecer a variedade disponível da
época.
Cresci e mantive a criança interna zelando por essa memória do brincar, em
que cada brinquedo tem a própria evolução dos materiais.
desmanchava – a uma boneca de plástico simples, passando pelas de pano,
que a mãe fazia com roupinhas glamourosas, e pelas fashion doll, que
marcaram minha infância – como a Susi –, sempre prestigiei os brinquedos,
inclusive os de lata.
Acompanhei também a chegada dos carrinhos eletrônicos e o início dos
games.
Por meio do meu acervo, pode-se observar a evolução de cada geração desde
anos 1920 até os dias atuais.
Acabei dando foco maior aos anos 1960-70-80 devido à popularização do
material plástico, que facilitou o acesso de mais crianças ao brincar.
Mas os brinquedos de fabricação nacional, como o simples forte Apache
Casablanca, feito de plástico nos anos 1960, eram frágeis e quebravam com
facilidade, o que os tornavam raríssimos. Apesar de minha coleção abranger todo e qualquer tipo de brinquedo, decidi
me concentrar nas bonecas Susi lançadas em 1966. Três anos depois, em
1969, elas se tornaram modelos exclusivos brasileiros, sendo item diferenciado
mundialmente. Dessa forma, sou a maior colecionadora de Susi.
E é essa emoção que me move a colecionar e compartilhar o que tenho com você:
Texto sala 1.
Nas décadas de 1940 até 1960, a indústria de brinquedos no Brasil ainda estava se formando,
inicialmente com pequenas fábricas de bonecas em massa de papel, jogos de madeira,
soldadinhos de chumbo, brinquedos de lata litografada, pelúcias, de plástico baquelite e
emborrachado.
Os brinquedos desse período ainda não tinham largo alcance na sociedade brasileira. Muitos
eram voltados para tarefas domésticas, habilidades ligadas à costura e à cozinha. Já na década de
1960 apareceram as primeiras bonecas fashion dolls(influência da moda e do estilo), sopros da
contracultura e do movimento feminista.
Os brinquedos também eram fortemente inspirados na corrida espacial, nos primeiros filmes de
espiões, na guerra fria e na ficção científica ainda ingênua. Surgiram também os brinquedos que
ocupavam as salas da casa de classe média. Os autoramas e os ferroramas, as corridas em pistasligadas a controles elétricos. Mesmo que pequenos, os saltos da tecnologia criavam para as
crianças a fantástica sociedade automatizada. Vieram também os robôs e os controles ligados a
fios e pilhas.
- Texto sala 2.
Os brinquedos sempre sofreram influência das transformações técnicas ocorridas na sociedade.
Os objetos aqui carregam consigo a concepção de infância. Eles perpassaram muitas
épocas, apontando para o gesto do fazer com as mãos, do construir, do inventar, do testar e
investigar. Eram brinquedos que pretendiam trazer a ciência e o trabalho para o brincar.
Funcionavam como microlaboratórios para descobertas, alimentando o interesse das crianças
pela matéria e seus desejos de desvendar segredos. Atiçavam o fascínio pelas coisas que
moravam dentro do mundo, que podiam ser descobertas por um microscópio, por uma lente de
aumento, por lentes que brincavam com a luz. Brinquedos de engenharia, química e
infraestrutura, testes que acionavam correntes elétricas e sistemas de montagem. A criança
construtora e inventiva morava aqui. Nesses brinquedos, as traquinagens eram mais
profissionais
Texto sala 3.
Nos anos de 1970 a 1980, aconteceu a popularização dos brinquedos. O plástico bolha era um
material barato e permitia produção em massa. A diversidade de brinquedos explodiu, chegando
aos lugares mais distantes do Brasil, acessando uma infinidade de crianças. O advento da TV em
cores, a influência do design de objetos, o pop e o cinema espalhado em salas por todas as
cidades pequenas do País foram os motores de novos costumes e rupturas com tradições.
As crianças ainda tinham as ruas para brincar. Os quintais ainda eram grandes e os terrenos
baldios e casas abandonadas continuavam guardando assombrações, permitindo experimentos
perigosos com as pólvoras dos fogos de artifícios. Os brinquedos eram levados para as ruas agora
mais pavimentadas. Eram bicicletas, carrinhos de rolimã, skates, patins, figurinhas dos álbuns,
luvas de boxe, papéis de carta, bonecas de papel. As lembrancinhas de aniversários eram
diversas: apitos, línguas de sogra, petecas, carrinhos, pequenos animais.
O brinquedo ganhava as ruas. As casas dos vizinhos ficavam um pouco mais abertas. As trocas
de objetos e figurinhas, e os campeonatos de futebol de botão ainda aconteciam num certo
espírito comunitário. A rua foi a mãe dessas gerações.
FRASES
● A canoa virou, deixaram ela virar…
● Se essa rua, se essa rua fosse minha…
● Vem chegando algodão-doce!
● Ô abre a roda tindolelê!● Uni duni tê, salamê minguê…
● Boca de forno... forno!
● Trocam-se panelas velhas por maçã do amor!
UMA VIAGEM AO MUNDO DOS BRINQUEDOS
Concepção
Gandhy Piorski
Luciana Farias
Curadoria
Gandhy Piorski
Assistente de Curadoria
Ana Caldatto
Coleção
Ana Caldatto
Produção Executiva
Luciana Farias
Coordenação de Produção
Cristiane Santos
Projeto Expográfico
Atelier Cenográfico
Angela Barbosa
Beto Paiva
Design Gráfico
Prata Design
Didiana Prata
Maria Meira
Rafaela Ramos
Assistente de Coordenação
Diana Vaz
Projeto de Iluminação
Anna Turra Lighting Design
Anna Turra
Lucas Cavalcante
Execução projeto iluminação
Santa Luz
Projeto de Elétrica
MMV
Educativo
Coordenação
Fabia FeixasSupervisão
Débora Helena
Théo Yano
Monitores
Clara Maria Gomes Freire
Stefanon Bailiot de Alcântara
Winícios Brito Passos
Acessibilidade
Marina Baffini
Revisão de Texto
Ana Neiva
Museologia
Daniella Lobo Baccelli
Flávia Vidal Figueiredo
Nina de Almeida Quintanilha
Montagem Fina
Estúdio 880
Helio Iwasa
Louis Alamino
Luiz dos Santos Menezes
Michel Onguer
Rafael Filipe da Silveira
Construção Cenográfica
Cenotech Cenografia
Seguro
Howden Insurance Brasil






























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